terça-feira, 13 de maio de 2008

VAI TER FESTA DE NOVO, ORA SE VAI.


Pois foi assim. Dispois que aquela mulé dixe pra outra galega que as coisa quela dixe foi tudo mintira, pru causa de que os cara tava dano nela, ficou tudo rizuvido. Qui si ela dixesse a verdade, os amigo dela murria tudin, tudin. Eu digo é vôte. Eu digo é valha. Mermo assim, tem café no bule. A muié tava do outro lado de lá do regime duro e a galega tava do lado do duro. Sei não, foi assim, foi? Então ta... achei ele muito rombudo. Aí foi a maior mexericada.
Entoce vamo. Dispois que essa minina treminô o dotôrado dela, parece qui ficou priguiçosa. Nun iscreve mai, num manda mai recado pra ninguém, num abre mai as jinela prumode conversar cuns zôtro. As pessoa tem di ficar pastorando ela cusn zói durim, de orelha-em-pé, assim, assim, se não ela num dá nem bola.
Pois bem, e agora tem uns negoço qui eu num intendi direito. Ela andô leno uns livro dum ta de Reri Pote, e ficou cumas istoras de vareta mágica, dumas receita, sei não. É negoço de xangô, é? Puraqui os pessoa ta tudo falano quela agora ta querendo abri um térrero de macumba, acho qui vai tumá o lugá de Dona Anastaça ou Diassis do xangô. Faça isso não, é mior tu ficar insinano os minino a fazer casa qui é mio. Tu que ficar com a boca doce, aceitano tudo na moleza?
Sim, já ta chegano o mês de junho e vai ter as festa de São João. Dispôs chega a festa do Sá e a festa dos pessoá de Macau qui mora tudo fora, eles queri se incrontar de novo. Tem gente qui acha que num deve ter esse ano, pois vai ter votação, mai eu acho que deve tê. No ôto ano, o qui passô, teve, intão deve ter de novo, pois quem vié fazê votaria na festa, os pessoa que ta fazeno a festa vai pidi pra ele num vi. Né não? Eu digo é valha, eu digo é vote. Vixe, tai, que essa eu nun isperava. Ta chei de furmiga na cama.
Eu tava viajano pras Pendenças, o ri incheu e eu fiquei presa no lado de lá, puriço num tinha mais inscrivido pro brog, tumém prucausa de que eu ando muito aperriada cum minhas coisa, é muita coisa pra fazer e eu num tenho tempo nem de me coçar. Mas condo eu tiver um tempim eu iscrevo de novo, visse? Eu digo é vote, eu digo é valha.
Inté.
Pastinha

DIA ESPECIAL


Aproveito para deixar aqui, do poeta cearense Geraldo Amâncio, grande repentista brasileiro, as seguintes verdades:

Mãe tem a alma sensata
e um coração que não finge,
grosseria não lhe atinge
ingratidão não lhe mata;
filho ruim e filha ingrata
trata tudo com amor,
seu conselho é um primor
onde a paz se consolida;
toda mãe é parecida
com a mãe do salvador.

Parabéns a todas mamães Macauenses.

SOBRE O ENCONTRO E O DIA DAS MÃES


Primeiro, a vi no show de Roberta Sá, que show legal!!!
Olhe, só queria ter a certeza de que não haverá o encontro este ano e sefor, quando será? Pois vai ter um congresso da ABMCJ na África do Sul de 1° a 05 de setembro/2008, e quero participar, mas quero ter a certeza se vai ou não haver o encontro, pois não dá para chegar tempo se for no dia 06.09.2008 e, entre África do Sul e o encontro em Macau, qual será a minha preferência? Macau, disparado!!!
Feliz dia das mães para você com o seu belo herdeiro; Leda e Dona Líbia (Maria Menezes), quem eu considero uma mulher arretada e quero muito bem.Beijos!!!
Lembro que na infância a música mais tocada era aquela... eu me lembro o chinelo na mão (mais chinelo do que) o avental todo sujo de ovos... se eu pudesse eu queria outra vez mamãe, começar tudo tudo de novo!!!
Quem não gostaria de ser criança outra vez? Como a canção Lady Laura: .... e na hora do meu desespero chamar por você... que me leve de volta pra casa, que me conte uma história bonita e me faça dormir, Lady Laura me leve pra casa...Parabéns a minha querida mãe Filadélfia/Preta, que cuidou de oito filhos,tem 22 netos, 27 bisnetos + um a caminho, uma tataraneta; sobretudo, ter agüentado esta santinha aqui... é dose para elefante!!! Ela já está com um condomínio completo reservado lá em cima!!!
Parabéns para mim também que tenho minha linda Pollyanna e meu querido Jones Alisson; além de uma penca de sobrinhos que moraram comigo e tenho quatro netos: Ludmylla, Allícia, Jiovana e Pedro Henrique.
Parabéns a todas as mães do mundo, sobretudo, as macauenses!!!
Obrigada
Chaguinha.
(Gio): Parabéns pra vc Chaguinha.
Nem te vi no show... e que show, heim??? Maravilhoso!!! Agora, mulher, PURAMORDEDEUS não deixe de ir a África do Sul (com festa ou sem festa). Não perca essa oportunidade de conhecer outro lugar (se for me avise, pode ser que eu ainda tenha uma amiga morando por lá. Só preciso escrever pra ela pra saber se ainda está lá ou se já foi pra Espanha ou pros EUA).

quinta-feira, 8 de maio de 2008

MAMÃE QUERIDA


Mamãe querida, chegou a estação segundo domingo de maio. O fervilhar pré dia das mães deixa as multidões ansiosas. A publicidade é veloz como correnteza de enchente. Quem não tem dinheiro para comprar um presente não é gente. Uns poucos riem; outros tantos choram. Depois de 22 de abril de 2002, data em que a senhora libertou-se do invólucro corporal, terreno, e partiu para o invisível, se deram muitos e inusitados fatos. O Lula venceu a eleição presidencial, e nada de reforma agrária. Chefe do governo federal, o ex-metalúrgico taxou de bravata e mandou apagar a pregação que tinha feito em Macau, em 1994, na Caravana da Cidadania. Para provar não ser discurso seu retrocesso programático, orquestrou a expulsão dos deputados federais e da senadora petistas que votaram contra a lei que reduziu direitos previdenciários duramente conquistados.
Em cascata, baluartes nacionais da legenda estrelada envolveram-se num enorme escândalo. O valerioduto tragou milhões sem fim de reais comprando parlamentares. Teve CPI do Mensalão investigando as denúncias. A maioria dos congressistas na mesma laia, a comissão parlamentar de inquérito findou sem apurar tudo. Quando pensávamos que o sol da lisura e da camaradagem apontava no horizonte, o Partido dos Trabalhadores virou ambiente neoliberalizado. Os fracos não têm vez. Um novo entulho autoritário entranhou-se no âmago da organização partidária e ditou o alinhamento do dono de tendência ao endinheirado. O fazer militante foi desqualificado e a militância posta no canto da parede. Papai diz que o mal é antigo. Ficamos indignados. Eu e papai nos desfiliamos do PT e assinamos ficha no inédito PSOL, Partido Socialismo e Liberdade. Começamos de novo.
Lula da Silva reelegeu-se Presidente da República em 2006 e mantém considerável popularidade. As greves escassearam. 1º de Maio está feriado de festa pelos salários aviltados e crescente violência. Os corruptos dos altos escalões governamentais, blindados com foro privilegiado, dificilmente são punidos pela Justiça. É, mamãe, o mundanismo avassalador manda com força. No item músico-cultural, o besteirol invade casa, bar, praça, rua e raciocínio com letras do tipo “quer pegar é?”, “creu”, “chupa que é de uva”, “calcinha preta”, e por aí vai. No plano internacional, o desesperado império estadunidense cai em recessão econômica, mas mantém estratosféricos gastos nas invasões no Iraque, no Afeganistão e impertinentes ingerências nas demais nações. Ceifa milhões de vidas inocentes, causa desastrosa destruição da biodiversidade e abre mais estradas de opressão e desigualdade. O Brasil, pivô de desmedido desmatamento na floresta amazônica, transformou-se no quarto emissor mundial de gases de efeito estufa.
Estudiosos comprometidos com a democratização da democracia – contrários à fulanização e sicranização caciquista – advertem para os desvios prenunciadores do renascer do cupulismo, idiotização dos partidos e isolamento das massas. O economista Zivanilson Silva alerta que a pátria dos brasileiros ainda não pegou o trem da história. Apesar de tudo, os nacionais ainda mantêm a fé na reviravolta do bem. Em que pese despolitizante pressão, os cidadãos percebem que o futuro se faz a partir do hoje, e que cada pessoa tem sua responsabilidade social. A arraia miúda perdeu a paixão pelo movimento político forjado de cima pra baixo.
Mamãe querida, no instituto do lar que construístes para nós, a senhora é insubstituível. Papai, filhos, filhas, genros, noras, netos e netas jamais esqueceram – e sempre reverenciam - suas atitudes benfazejas no apogeu e no ocaso. Alho, seis e dez; batata inglesa, um e quarenta e nove; banana, doze centavos; cebola branca, dois e quarenta e nove; feijão macassar branco, quatro e setenta e cinco; carne de carneiro, nove reais. As mães fazem conta no mercadinho. Bênção, mamãe.
Renan Ribeiro de Araújo – Advogado

SOBRE A CHUVA EM MACAU E OUTRAS COISAS


Já tem alguns dias que não escrevo, embora dê sempre uma espiadinha...
Aproveito para parabenizar Getúlio Moura pelo Flamboyant postado e das fotos da enchente em todo o Vale do Açu, enviadas para mim por Antônia, minha irmã e minha querida amiga Estefânia. Parabéns a Renan pelo Arco Iris e outras postagens suas. Você é dez!!! Parabéns a Bira pelas fotos do aniversário de sua mãe. Parabéns também para ela. À Zé de Hipólito, parabéns pela lindas fotos antigas do seu acervo que tem postado no blog.
Lendo os relatos de alguns blogueiros sobre chuva em Macau, infância, lindamente escritas por Sheila e Giovana, recordei do que esse assunto representa para mim. A minha casa na Rua Pereira Carneiro, nº 272, tinha que ser retelhada sempre que se aproximava o inverno porque, dada a facilidade de subirmos por causa da parte que sobrara em pé na demolição do nosso querido sobrado, ex-dos Cariello (nossa saudosa maloca, de grandes recordações infanto-juvenis), para corrermos em cima de casa e, claro, quebrávamos as telhas e se não fossem retalhadas, era biqueira que não acabava mais!!!
Outra coisa em dias de chuva, era comum mamãe colocar a gente na cama ao lado dela, feito galinha e seus pintinhos (ainda que fossemos oito filhos), principalmente quando a chuva era carregada de relâmpagos e trovôes e lembro que, no dia 27 de abril de 1967, no dia em que minha mãe completava 37 anos (embora uma vez tenha dito a Benise Barros que aquele dia teria sido 27 de março dia do aniversário dela, mas depois lembrei-me que foi abril...) caiu um raio perto do cinema São Luiz e na passagem pela Rua Pereira Carneiro, atingiu boa parte dos moradores das adjacências, entre eles, a minha mãe... que desmaiou e a gente pensou que ela estivesse morta; foi aquela correria na minha casa e o mais interessante é que na hora em que o passava o clarão em frente à minha casa, mamãe estava brigando comigo, por alguma arte que eu havia feito (se Deus a tivesse levado, teriam colocado culpa em mim, que era tão boazinha!!!)... mas ela sobreviveu e até agora com 78 nos, está bem, graças a Deus.
Mas como boa interiorana, a chuva, principalmente naqueles tempos em que não havia água encanada, e a água melhor que consumíamos era a que vinha nos botes (os botes da aguada)... a água da chuva era um bem que todo mundo cuidava com o maior carinho, principalmente preservado por um bom tempo nos tonéis e no pote, principais armazéns de água, para quem não possuía cisterna (coisa que lá em casa tinha). Dia de chuva era dia de alegria, de liberdade, de correr nas ruas. Depois do banho de chuva aquele banho gostoso, com roupa limpinha, comíamos uma comida quentinha, à noite com aquele lençol bem limpinho, ah, como era gostoso a chuva na infância!!!
Como falei que lá em casa tinha cisterna que, inclusive se vendia água, principalmente no verão, então tinha um tanque onde ficava a torneira para encher as latas, então, quando chovia, virava uma piscina e claro, a gente, principalmente Dimas e eu, nos deliciávamos na nossa piscina particular, inesquecível.
Uma coisa que lembro era que tinha um pé de castanhola, mamão e outras frutas e as folhas se enchiam de água e Dimas e eu gostávamos de brincar com Antônia molhando-a, inventando que tínhamos um segredo para contar, e se a chamássemos dez vezes, ela vinha e a gente a molhava. Como era ingênua a minha irmã!!!
Outra coisa boa depois da chuva era passear descalça por aquelas ruas que ainda não eram calçadas, era uma farra legal. Outra coisa que me lembra chuva foi no ano de 1964, a maior enchente a que já assisti e o Rio Açu transbordava e trazia na correnteza os objetos que eram destruídos no meio do percurso e o povo se reunia na Rua da Frente, ali em frente a casa de Dr. Luiz (atualmente da família Maia Barros) para contemplarmos aquela cena que, embora trágica para quem sofria com as perdas, era uma coisa bonita de se ver a água carregando as coisas para lugares que não sabíamos aonde ia dar...
Uma das pessoas da minha infância que lembro estarem ali era Fernando de Josias (de saudosa memória) e Chaguinha de Naura que residia ali em frente, além de Dilson, Dimas, Antônia e alguns primos meus. Portanto, chuva é um bom mote para quem foi criança no interior, sobretudo, o nordestino onde, chuva é sinônimo quase sempre de alegria.
Mudando de assunto, aproveito o ensejo para me juntar aos que querem o ENCONTRO/REENCONTRO, todos os anos; acho que não devemos levar em consideração a campanha política, acho que já está mais do que divulgado que o encontro é degerações e não tem nada a ver com política partidária. Se deixarmos para, de dois em dois anos, as pessoas vão esquecendo e enfraquecendo o objetivo. Estive com Maria Amélia este fim de semana e ela falou-me da vontade de postar algumas fotos. Acho que deveríamos voltar a postar as mensagens, as fotos, os causos, enfim, vamos recomeçar com o mesmo espírito do ano passado, é o que desejo.
Celso, Marcos, Luiz Antônio de Seu Bibi, enfim, quem quiser, vamos selecionar os nomes interessantes de Macau?
Obrigada mais uma vez pelo espaço.
Chaguinha.

(Gio): Oi, Chaguinha. O Blog continua aqui... sempre aqui... arquejando, mas sobrevivendo às custas de poucos. Quem quiser, pode postar o que quiser que, se não precisar de crivo, será publicada sem restrições.
Quanto à festa, confesso que estou tendendo a apostar na festa de dois em dois anos. Nós todos sabemos como ficam os ânimos em Macau. E esse estado de espírito torna-se irracional, além dos nossos estômagos, que não são de ferro, pra aguentar as mesmas repetições ...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

DE ANÔNIMO PARA REFLEXÃO

BOM DIA!!!!
Em razão desta nova pesquisa do blog sobre a realização da festa, compartilho com a idéia de alguns que pensam que NÃO devemos fazer a festa este ano, e mais, acho que a festa deveria se realizar a cada dois anos, para que de fato, se renovem as novidades, para que não caia na mesmice, neste modelo de festa que é feita apenas por se fazer.

A proposta inicial era uma festa de REECONTRO.
Não podemos esquecer que este ano é eleitoreiro e que vão surgir, inevitavelemente, inúmeras pessoas querendo se prevalecer dessa chance (da festa) para se promover politicamente. Por isso, acredito que se a festa for realizada de dois em dois anos, a próxima seria em 2009, nós evitaríamos que coincidisse com qualquer eleição, seja municipal ou nacional, e se evitaria uma série de aborrecimentos.


(Gio): Eu já tinha pensado nisso... Acho a idéia boa.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

E AÍ?

VAI TER FESTA EM SETEMBRO OU NÃO???

FALTAM 4 MESES PARA O QUE PRETENDEMOS TORNAR UMA TRADIÇÃO ... ESSE ANO DEVE ACONTECER NO SÁBADO, DIA 6 DE SETEMBRO? ... SE NÃO, QUAL A PROPOSTA?...
SE VAMOS FAZER, VAMOS COMEÇAR A DESORGANIZAÇÃO???
OU NÃO??? VAMOS FICAR PENSANDO E DEIXANDO O TEMPO PASSAR...

terça-feira, 29 de abril de 2008

ABRIL E A GERAÇÃO TELENOVELA


A bengala de ouro, cingida de diamantes, e as lentes de contato de última geração esperam, sob forte esquema de proteção, o barão do dinheiro. O magnata acorda, espreguiça-se e sinaliza. A tecnologia avançada capta sua vontade e logo vem ao seu inteiro dispor o atento e leal consultor de investimentos futuros. Sem alvoroço o abastado dá os primeiros passos no novo dia. Doutorados e doutorandos lhe trazem café à cama e aclimatam o ar condicionado. Controle remoto à mão, o homem poderoso liga a TV de LCD e toma-se de enfado. Desliga. Cem anos de imigração japonesa no Brasil fundaram a segunda nação do sol nascente. O majestoso neoliberal ri o cínico sorriso herdado dos cafeicultores paulistas e agropecuaristas mineiros da República Velha. Pega o livro de cabeceira, “Evangelho da vida fácil”, abre na página 2008. Está feliz. O tormentoso aprendizado das últimas décadas lhe ensinou que jogo de cintura não faz mal.
Virou quimera o pesadelo da transição para a democracia. Aquele barulhento brasileiro do final do século XX, incisivo, irreverente, na rua, carregando um sapo revolucionário barbudo como amuleto, sumiu. O temor de ver Leonel Brizola presidente - nacionalista contestador da aliança para o progresso imperialista - se foi. Tempos idos, vencidos. Num luxuoso baú, arquivos implacáveis. A foto esmaecida de Juscelino Kubitschek, o ex-chefe da nação que construiu Brasília. Na calma da manhã chuvosa, o barão revê revistas dos últimos sessenta anos. A guerra fria, GetúlioVargas voltando pelo voto direto, o suicídio, a carta-testamento, a ferocidade inconseqüente do governador Carlos Lacerda. O carismático Janio Quadros condecora Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul e, dias depois, renuncia à presidência.
Pressão contra a posse de Jango, o vice. A experiência parlamentarista, o plebiscito e o avassalador sim ao presidencialismo. João Goulart assume, anuncia reformas de base, busca um país menos desigual. O golpe de abril de 1964, o regime militar. Obscurantismo, fim das liberdades democráticas, cassações, perseguições, exílios, seqüestros, prisões, torturas, desaparecimentos, mortes. Vinte anos depois, abertura política. Anistia. Tancredo Neves vence a última eleição presidencial no Colégio Eleitoral e morre antes da empossar. Absorto, pensando no passado ainda presente, o amo desperta com o toque do interfone. A secretária informa a chegada dos jornais matutinos e pergunta se deseja mais alguma coisa
Quatro décadas após a queda de Jango, o Brasil vira país privatizado, paraíso do lucro exorbitante, da indústria automobilística, da Nestlé, das Casas Bahia, dos leilões de poços de petróleo, das sementes transgênicas marcas Bayer e Monsanto. Aumenta o fosso entre os poucos ricões e os milhões de pobretários. O primeiro mundo, satisfeito, sugere manter a coroa na cabeça do ex-metalúrgico com pinta de ator hollywdiano. O modelo vídeo-financeiro de capitalismo trouxe a tecno-ciência do mando. Embriagadas de isenção fiscal (a farra chega a cerca de 65 bilhões e 500 milhões de reais), abrigadas no telenovelismo e amparadas na vanguarda operária padrão, as multinacionais controlam, como nunca, os meios de produção e reprodução da vida. Greves passam a acontecer em ação combinada com os patrões.
Porta-vozes da flexibilização trabalhista e desregulamentação econômica viram celebridades. A idolatria do mercado desfaz no ar o universo humano. Desintegra a realidade e, via-satélite, faltando partes, em formato televisivo, diz devolvê-la integral, gratuitamente, ao telespectador. Até põe à venda imagem maquiada de competência e idoneidade. Para livrar-se da alienação, recuperar a liberdade e adquirir saber profícuo, ao invés de ler, basta emprenhar-se de telenovela. Sabe o leitor, a verdade não é essa, mas aparenta ser. Apesar de não ter bengala, diamante e lente de contato, o neo-romântico se enche de ânimo com coisas simples. O antológico show de MPB 4 e Toquinho, em Natal, é um exemplo. Afinal, em abril de 1916 Florbela Espanca já brindava a emoção com os contos “Amor de sacrifício”, “Alma de mulher” e “A oferta do destino”. Aproveito os sapatos de ferro de Florbela, calço-os e caminho...

Renan Ribeiro de Araújo – Advogado

segunda-feira, 28 de abril de 2008

CHEIRO DA CHUVA


Oi, Sheila.

É interessante essa relação que tantos de nós construimos com a chuva. Eu também trago o cheiro da chuva na memória. Sinto um frenesi quando começa a chover e estou no meio da cidade. Sempre quero chegar perto de algum mato, algum terreno vazio pra tentar sentir um pouquinho daquilo que é animado pelas minhas lembranças.
Às vezes, tenho a sensação de que o que sinto aspirando no ar se aproxima daquele cheiro do passado, mas tenho certeza que é só uma sensação aproximada ou um desejo de que seja o mesmo.
Acho indescritível!!!
Eu morava no centro de Macau e, desde a minha infância, a rua Pereira Carneiro era calçada. Então o que distinguia o que eu sentia era o cheiro de calçada e pedra salgada !!!???
De qualquer maneira, carrego a esperança de que o que trago na memória era cheiro de terra molhada. Cheiro de chuva.

Abs., Giovana

CHUVA



Giovana,

Esse texto é como um acalanto, como para mim a chuva sempre foi: um carinho no coração. Compartilho com você esse olhar sobre a chuva. Lembro que, criança, em férias na casa de minha avó Chiquinha Batista, em Canafístula (pra nós era “Canafista” mesmo), observava maravilhada, do alto da calçada de pedra, o movimento das águas, durante e após as chuvaradas, fazendo desenhos abstratos na terra vermelha em frente ao curral das vacas. Enquanto isso, o cheiro dos velames misturava-se ao inenarrável cheiro da terra molhada, que, no fim, é o “cheiro de chuva” mesmo, entranhado na minha memória para sempre. Era um poema de Jorge Fernandes e eu não sabia ainda. Os banhos de chuva em Macau eram especiais, talvez pela escassez da água em passado tão recente (quantas vezes não tomamos banho com a água do poço da Marechal, carregada nas roladeiras? Os cabelos ficavam horríveis!). Me encanta tanto a chuva, que, para mim, dia bonito é dia de chuva. Não tem sol de verão que me deixe mais feliz do que o horizonte nublado, a chuva fininha e uma rede na varanda. Em noites de chuva forte, desligar ventilador e ar-condicionado só para poder ouvir o barulhinho da água caindo no teto é garantia de bons sonhos. Um dia desses – que já faz alguns anos - tive mais uma prova de que “filho de peixe...”: Estávamos em Fortaleza, numa semana santa, eu, Renan, Maíra e Sarah, e esta, acordando antes de todos, abre as cortinas e exclama “que dia lindo!” Fomos à janela e não deu outra: o sol estava de férias, coberto de nuvens. E uma chuva marota começava a cair.

Abraços. Sheila

quarta-feira, 23 de abril de 2008

POUCAS COISAS SÃO TÃO LINDAS

FLAMBOYANTS NO ALTO DO RODRIGUES
Foto: Getúlio Moura



MACAU SOB AS CHUVAS

Como boa interiorana que sou, tempo de chuva é tempo de ir olhar a chuva.
Infelizmente, este ano ainda tenho me limitado a fazer esta viagem pela internet. Mas, vou à Barragem Armando Ribeiro Gonçalves no próximo domingo, pois esse é um passeio que quem não fizer pode ser castigado. É a maior barragem do Estado e de lá está saindo uma grande quantidade de água, cujo destino é o mar e cujo percurso passa por inúmeras cidades no Vale do Assú, entre elas Macau.
Macau é onde nasci. Cidade rica e habitada por uma população, em sua grande maioria, pobre; e que fica na região norte do RN, no meio de salinas. Dizem (e eu acredito) que sua altitude é quase a mesma do nível do mar.
Nela passei minha infância e dela lembro, entre outras coisas, dos inúmeros banhos de chuva pelas ruas alagadas. Nela aprendi que não se toma banho na primeira chuva, que é preciso esperar a terra esfriar e deixar que as águas limpem as telhas. Mas, a partir da segunda chuva, pode sair correndo, pois não é permitido perder nenhuma oportunidade.
A maioria das casas tinha “biqueira”. Algumas baixas, onde sentávamos na calçada, e mesmo deitávamos, para que a água pudesse cair na cabeça; outras, altas e fortes, onde a concorrência era grande. Nestas últimas, formávamos fila para aproveitar o prazer daquele banho. As bicicletas tinham que ter as correntes previamente lubrificadas porque a aventura das chuvas exigia muita preparação até para elas. As águas das chuvas sempre ficaram empossadas nas ruas de Macau porque não tem como escoar. E, nelas mergulhávamos, brincávamos e corríamos felizes.
As ruas, as calçadas e as praças ficavam cheias de adultos e crianças. Era um ponto de encontro. Era um momento de êxtase e alegria.
O horizonte “lá de cima” era nosso guia. Sim, porque em Macau (e até hoje ainda é assim) bastava olhar pro céu “lá de cima” (a leste) para ver e calcular quanto tempo ainda duraria a chuva (muito ou pouco tempo). Se a “barra” (do horizonte) estivesse escura, a promessa de diversão não tinha tempo pra acabar. Se estivesse clareando, era hora de começar a retornar para as proximidades de casa. Não podíamos ficar muito tempo na rua depois da chuva acabar. Era perigoso... Era preciso tirar logo a roupa molhada.

Era olhando pro céu na “barra de cima”, que também era conhecida como “boca da gamboa”, que a gente podia observar se os trovões ainda estavam longe. Dependendo de sua distância, podíamos ou não permanecer na chuva. A nossa segurança era garantida apenas pelo som. Enquanto ouvíamos os trovões, podíamos ficar na chuva, mas quando os relâmpagos começavam a se mostrar no horizonte, na “boca da gamboa”, era hora de voltar. Corríamos para dentro de casa, pois com relâmpago era perigoso ficar na chuva.
Nos quintais, os cacimbões ficavam tão cheios que era possível tirar água com uma lata sem corda. As cisternas ficavam cheias de água pra beber e tínhamos certeza de que teríamos água o ano inteiro. Dentro de casa, o chão ficava molhado. Quem tinha piso de cerâmica na casa, que ficava escorregadio, era preciso enxugá-lo algumas vezes por dia. Quem tinha piso de madeira, via a superficialidade da água nas manchas sobre o chão.
Nesse cenário, convivíamos com o imaginário da cidade virar “cama de baleia” e com o pavor dos mais velhos. Mas, apesar disso, nas proximidades de onde morava, nunca ouvi e nem vi nenhuma casa sendo inundada. As águas não passavam da calçada...
Enfim, do meu mundo infantil, lembro que toda a cidade ficava disponível. Ir pelas ruas, a pé ou de bicicleta, sem destinos ou à procura daquela biqueira mais especial, é uma imagem que não se pode esquecer.
É devido a esse passado que continuo adorando a chuva e os trovões e olhando com admiração os relâmpagos. E sentindo, particularmente nos dias de chuva, um enorme desejo de voltar, de pegar o carro e aventurar chegar a Macau, para ficar na esquina da Casqueira ou na “área” da antiga casa de Vovó, olhando a chuva ou, mesmo, vestindo a roupa mais apropriada pra tomar banho de chuva.

Imagens impressionantes de Getúlio Moura (Ver em http://gmx.nafoto.net/index.html)







RECEBI A RESPOSTA ABAIXO DE UMA INTERIORANA DO SERTÃO DE ACARI:

Me identifiquei profundamente com o seu texto e me lembrei da minha infância em Acarí. O quadro era exatamente o mesmo. Nada mais gostoso do que uma grande biqueira gelando o nosso juízo!!!! Apenas uma diferença: Como estávamos em pleno sertão, a chegada da chuva virava festa como em Macau mas, o interessante é que as pessoas corriam gritando: Lá vem o rio com água, huhu! Era a cidade toda gritando com euforia o mesmo refrão. Uma delícia!
Um beijo

terça-feira, 15 de abril de 2008

ARCO IRIS NO CÉU


Em 09 de abril de 2008 amanheci taciturno. Não que eu seja pessoa extrovertida, de riso constante. Reconheço meu jeito austero tal cicatriz de opressão. Mas naquela data cedinho senti algo estranho. Passara a chuva e o arco-da-aliança violeta-anil-azul-verde-amarelo-laranja-vermelho era ponte para além horizonte. A magnitude solar distribuía suave claridade. Cenário inexplicável ao ser humano adepto da filosofia de resultado. Raiar aparentemente igual aos raiares dos trópicos. Dia nascido para calar no crepúsculo, orvalhar-se na noite serena e despertar tonificado na alvorada seguinte. Abro a porta e deparo-me com vegetação verdejante de fotossíntese. Flor branca sendo polinizada por avezinha bicuda de mancha violeta atrás dos olhos e plumagem à base de verde aceso, o colibri. Abelha polinizando a roseira vizinha. Algo chamando atenção, e eu absorvido na rotina.
Vago vento vazio. Receosa melancolia. Fosse eu objeto, preferiria ser turbina de alegria e discernimento. Uma notícia decifrou o enigma. Minha prima Íris Marques de Araújo, 51, havia expirado. Primor de mulher. Mãe acima de tudo. Enfermeira sacerdotisa. Foliã festeira, gene tio Zé Bezerra. Brava Íris, anos e anos cuidando de enfermos, enfim ela própria lutando para curar-se de câncer. Exemplo de dignidade acossada pela dor. Cabeça erguida até o último suspiro. Vai, amiga, livre do assédio das vilezas terrenas. Entrega a Deus nossa mensagem de fé. Do plano superior, manda com amor um pouco de ressurreição.
Vibrante vida dinâmica. Concluindo o 2º grau como líder secundarista, no final de 1981 decidi servir às forças armadas. “Eu sou da poderosa artilharia, que na luta se impõe pela metralha, a missão das outras armas auxilia, e prepara os campos de batalha”. Amo o hino artilheiro. Servi no 17º Grupo de Artilharia de Combate, na Bateria de Serviços. Antes, porém, esforcei-me para eleger meu sucessor na presidência da entidade estudantil do Atheneu Norte-Rio-Grandense. Foi eleito Gutenberg Oliveira, filho de Evaristo Lopes, ex-sindicalista e ex-vereador em Macau. Rumei à Organização Militar. Aos 19 anos, entrei refratário. Recebi barbeador, creme de barbear, escova, pasta dental, saboneteira, sabonete, desodorante, caneca, lençol, colcha, meia, tênis, calção, cinto, sabre, coturno, calça, gandola, casaco, capa, camiseta, capacete, gorro, bibico, traje de passeio, mochila, cantil, fal e munição. Ganhei alojamento, cama e armário individual. Inicialmente, no período interno, várias palestras específicas.
Nos testes de aptidão física, evitei ser o primeiro e o último. Fiquei ás em ordem unida. Inscrevi-me nos cursos de cabo e motorista. O capitão comandante exigiu-me escolher um dos dois. Optei por dirigir viatura. Aprendi manutenção de 1º escalão dos automóveis. Habilitado com carteira “C”, fui pra linha auto. Incumbi-me de guiar e zelar um caminhão reo, como se fosse meu. Atirei de fuzil automático leve e de pistola 9mm. O fuzil, desmontávamos e montávamos de olhos vendados. Lidei com obus, metralhadora point 50, lança-rojão, bazuca e granada. Em exercício de maneabilidade, pulei fardado no rio Potengi e lancei-me de cabo aéreo. Corri, rastejei, rolei, de arma em punho. Um praça-carnavalesco, pois, paralelamente, empreendi com colegas, em Macau, a Agremiação Carnavalesca “Os Bruxos”. Em 14 meses de caserna, conheci gente boa e fiz amigos. Ampliei a visão. Aprendi a não generalizar. Recruta braço forte, mão amiga, arraiguei em mim o sentimento da alma brasileira.
Simulamos confrontos, situações de guerra, sobrevivência na selva e enfrentamento de manifestações. Fiz guarda 24 horas em diversos pontos do quartel. Escala apertada, praticamente dia sim, dia não. Faxinei alojamento e banheiro coletivo. Cumpri tarefa de gari. Lavei milhares de bandejas no rancho. Aparei capinzal com estrovenga. Fui garçom em festa interna de oficiais. Tomei conhecimento sobre o marechal Emílio Luiz Mallet. Em sua honra, 10 de junho é o Dia da Artilharia. Sorvi mais sobre Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Terminei estafeta na sargenteação, auxiliando o sargento iante. Trabalhei bastante, soldo pequeno, mas foi divertido. Progredi. Hoje, contente com a vitória do Fluminense, lembrando o dramaturgo Nelson Rodrigues, aplaudo o Exército ajudando as vítimas da enchente. Soldado 628, Renan, sentindo a aura de Íris. Depois contarei mais.
Renan Ribeiro de Araújo – Advogado

segunda-feira, 14 de abril de 2008

PARA LAURÊNIO

Caro primo Laurênio, obrigado pelas suas palavras quando da postagem das fotos do aniversário da minha mãe. Falei a ela sobre seu gesto e receba os agradecimentos e o carinho da nossa família. A foto "dedeta" é do ano de 1963, o bebê no colo da minha prima Odete, sou eu e a menina minha irmã Nádia. Odete falou que vocês estudaram juntos, na época ela morava na casa dos meus pais.
Um abraço fraterno.
Bira.

BAÚ DE BIRA (Cont.)

A alfabetização com nossa queridíssima D. Chaguinha e a outra com Jane Mevice (é assim que se escreve?)

(Gio): Deixei as duas fotos separadas para mostrar que, desde pequenino, Birinha tem uma tendência à oratória.

BAÚ DE BIRA


Logo quando as atividades do blog tiveram início, uma das formas de motivação da visita e da postagem eram os baús. Não tenho lá um grande acervo mas buscando contribuir com a minha amiga Dotôra e para não deixar a peteca cair segue algumas fotos.

Na foto "abc de Mércia"(1969) o galeguinho sentado é Lão Neto. Mércia uma amiga de infância que não vejo há anos é irmã de Gracinha Barbalho e filha de D. Neusa. As fotos coloridas são de 1982 foram tiradas no bar do galegão em alagamar: Bira, João Maria "doido de João de Aquino", nosso saudoso Luciano de Bia, João Gatão, Maraca, Laberinha e um tubaço de caranguejo, prá criar marra.

As nossas missionárias não visitam mais o blog? Olha elas aí. Quem conhece as meninas? Infelizmente não lembro mais.





AQUECENDO AS TURBINAS


Cara Giovana Paiva, gostei muito da citação do livro de D. Nivaldo e quando retornar para a capital de folga, vou procurar e comprar.

Vejo que agora estais com o espirito renovado para incrementar o blog, só queos priziacas sumiram????

Fiquei surpreso com o aparecimento do Sérgio Marianojá que fazia mais de 20 anos que eu não tinha noticias dele, está com a cara do arbitro de futebol Godoy, que agora é comentarista esportivo kkkkkkkkk.

Está se aproximando novamente o mês de Setembro e ninguém agita mais para o aquecimento do segundo encontro. Está faltando o carimbo no blog, como em muitos locais da terrinha tem: HEY ROCK... kkkkkkkkk

Luiz Antonio.

HOMENAGEM A BUACA


Quero avisar aos brecheiros que, continuo, também, brechando. Acho que só vamos escrever com mais freqüência, no segundo semestre quando estiver definida a data do próximo encontro.

Porém, hoje, escrevo algo seriíssimo...

AOS BLOGUEIROS DO ” MACAU 80 E DE TODAS AS GERAÇÕES”:

Uso mais uma vez este espaço e hoje com o objetivo de prestar uma homenagem a JOSÉ MOACIR RUBENS DE OLIVEIRA FILHO (Buaca, para os amigos)... neste momento, quem vos fala não é Chaguinha de Preta de Dagmar, irmã de Mazinho, de Antônia etc., quem vos fala é a cidadã Francisca das Chagas Sousa.

Acredito que todos já sabem o que aconteceu com o nosso querido Buaca, no dia 02 de abril de 2008, pois é consciente de que necessitamos dar um basta nesta violência urbana desenfreada, que posto esta mensagem AQUI.

Parafraseando Rubens Braga que diz que as coisas simples não dão IBOPE, não interessam às pessoas; se, o que acontece de singular na vida das pessoas fosse retratada pela mídia, talvez naquela quarta feira 02 de abril, algum jornal na sua coluna de variedades estivesse escrito assim: pela manhã, um homem sai de casa com dinheiro com a intenção de quitar um carro, chega em um banco, paga e volta para o seu lar com a consciência do dever cumprido; SE, tivesse sido este o DESFECHO daquela quarta feira, somente as pessoas estritamente do dia-a-dia de Buaca, teriam sabido...

No entanto, o que aconteceu foi que, naquele dia, na sua primeira investida em um banco, que não deu certo, guardou o seu dinheiro bem guardado entre o seu corpo e a calça que vestia, não pensando que seria assaltado, mas para não perdê-lo, suponho, pois R$10.000,00 não é coisa fácil de ganhar-se e de se ter todos os dias, sobretudo, um aposentado-micro-empresário. E o que aconteceu ao sentar-se no seu carro para cumprir o seu papel-de-cidadão-honesto-que-paga-as-suas-contas? É abordado por sujeitos que não têm o que fazer e que gostam de levar a vida fácil, sem grande esforço, que, não-contente somente com a coisa material, leva o presente mais precioso que Deus nos deu: a vida (daquele cidadão).

Pois bem, é um momento de reflexão e de muita relevância, muito maior do que a revolta pelo fato irreversível do que aconteceu ao nosso inesquecível Buaca; sobretudo, pela impotência e fragilidade com que nós seres humanos, brasileiros, macauenses, natalenses ou qualquer outra cidadania, nos encontramos. A vida está banalizada, a sociedade está desprotegida, ainda temos motivos de nos indignar, mas não culpemos tão-somente os governantes, mas a própria lei penal de nosso país que é de 1940, Decreto-Lei n° 2.848 de 07 de dezembro de 1940, onde no seu artigo 121 do Código Penal diz que, Matar alguém: Pena, reclusão de seis a 20 anos. Latrocínio Art. 155 do C.P.; Subtrair coisa móvel alheia, para siou para outrem, mediante grave ameaça ou violência à pessoa ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena, reclusão de quatro a dez anos, e multa – § 2º A pena aumenta-se de um terço até a metade: I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma; III – se há concurso de duas ou mais pessoas; § 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze anos, além de multa; se resulta MORTE, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo de multa.

Quando o Juiz vai fazer o seu juízo de valor num processo de homicídio doloso contra a vida, ele observa os aspectos sociológicos, filosóficos, ambientais, o passado, a história familiar do indivíduo (ou indivíduos) que tirou a vida de alguém e busca diminuir a pena; depois de ouvido o Ministério Público e os jurados, se o réu é primário, se tinha boa conduta social, se era bom pai, bom filho, emprego fixo, endereço fixo etc; se era marginalizado pela sociedade, enfim, não leva em consideração que, aquele que está sendo julgado, está vivo pode ter privada a liberdade, temporariamente, mas tem vida, está vivo para se recuperar ou depois que sair da prisão cometer novos homicídios.

Em quase nove anos perdi dois amigos por motivos parecidos, mortos por marginais, o primeiro, a família deixou o caso nas mãos de Deus, haja vista que mora no Ceará e os assassinos e o pai são pessoas influentes às avessas (através da prática de crimes), em Mossoró; mas espero que este caso, não fique impune, que a família, os amigos cobrem das autoridades competentes uma solução, que bote atrás das grades, os culpados, pois se, um atirou, o outro deu cobertura para o crime, agindo como co-autor; não interessa se é a Polícia Civil ou Militar que tem que dar segurança e proteção aos cidadãos; pois é muito fácil ficar jogando como se fosse pingue-pongue as culpas, como li num determinado jornal da capital. Fico imaginando o terror que é para uma pessoa sentir uma arma apontada para a sua nuca e, depois, de uma coronhada, ser chutada, levar, um, dois,três tiros; que raiva danada foi a desse assassino!!! Fico pensando porque, essas pessoas que vivem de cometer crimes, não têm pena de ninguém, pois não se conformam apenas em levar as coisas materiais, mas maltratar, tripudiar, matar; por que tirar a vida das pessoas inocentes e que nada têm a ver com seus recalques, de suas faltas de oportunidades ou simplesmente por não quererem levar a vida dentro da decência e da bondade?

O crime está distante de ser elucidado, embora na quinta feira última, li em um jornal que já existem dois suspeitos; mas há um agravante: para que o delegado responsável pelas investigações veja a fita do banco, onde, com certeza está o algoz de Buaca, necessita de uma ordem judicial para entregá-la. O que será que tem de tão sigiloso numa fita de banco, que não pode ser emprestada de pronto para figurar como prova num inquérito que poderia ajudar na elucidação de um crime tão covarde? Vale salientar queo crime praticado nesse caso específico no direito é configurado latrocínio, mas no popular, hoje é, saidinho do banco... Será que o gerente não pensa nisso e que pode ser repetido contra outro inocente, talvez sendo praticado pelo mesmo elemento que hoje ele se omite demostrar? Será que isso ainda é no Brasil, em pleno século XXI?!

Para finalizar quero dizer que Buaca era um amigo alegre e amigo de todos. Pude compartilhar de muitos momentos alegres com ele, pois morou por um bom tempo na Rua Pereira Carneiro, em Macau, quase meu vizinho; bem como nos carnavais, principalmente o de 1978, com os “Cowboys”: Ivan Marques, Anete, Gustavo, Alice, João Penha, João Evangelista etc; a última vez em que estive com ele em lazer foi numa festa de Marrocos com Vavá, Manoel Maxixe, Ivanildo e outros, no clube dos Oficiais da Polícia.

À memória dele, que seja feita JUISTIÇA!!!

Á família, desejo paz!!!

Obrigada.

Francisca das Chagas Sousa

domingo, 13 de abril de 2008

FÉRIAS COLETIVA


Informamos aos 43 persistentes leitores deste Blog que seus escritores parecem que tiraram férias coletivas e não informaram à administração. Como agora disponho de algum tempo para aproveitar prazeres diletantes, vou utilizando este espaço para compartilhar coisas de leituras passadas e atuais, anotações e outras coisitas mais.

Atualmente estou lendo um livro escrito por Dom Nivaldo Monte que, além de religioso Arcebisbo, teve formação em psicologia, teologia e era um grande estudioso em diversas áreas do conhecimento. Ele, em 1946, escreveu um livro sobre a DOR, o qual foi reeditado por seus familiares em 2002.

No primeiro capítulo de A DOR, SENTINELA DA VIDA, ele afirma uma coisa belíssima que vale a pena parar para pensar. Ele diz:

"Dada a natureza humana, a dor é uma necessidade fisiológica. Compreendida a natureza da arte, a dor é imprescindível na estética. Vista a natureza da alma, a dor se revela a grande formadora do homem. Sem dor não haveria vida, pois a vida fisiológica é produto de combates e mortes. Já é um aforismo biológico afirmar-se que o último que reage é o último que morre. Sem dor não haveria beleza, pois que o belo da natureza é fruto do contraste irmanado à raridade. Se Santo Agostinho afirmava que as coisas comuns se tornam vis, foi Emerson quem nos disse que a natureza se mantém por antagonismos. O sol seria por demais insípido se o universo não fosse opaco. Sem dor não haveria caráter, pois este só se adquire na tenacidade e na luta".

Bonito, não?

O livro de Dom Nivaldo Monte discute a DOR na fisiologia, como uma defesa; na arte, como um elemento de grande poder estético; e na psicologia, como a grande formadora do homem. Interessantíssimo!!!

Abs, Giovana

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O QUE A DISTÂNCIA PODE FAZER


Durante algum tempo, experimentei ficar vivendo em um lugar distante do meu, mesmo estando próximo. Senti que mudamos sem deixar de ser o que sempre fomos, eu e meu lugar. Aliás, o que eu era (e não sou mais) está cada vez mais forte dentro de mim, ocupando um lugar diferente mas, sempre lá, dentro de mim. Enquanto ele, continua o mesmo e nunca mais será igual.
Tenho a impressão de que estou refratária... Tudo são apenas impressões e nenhuma concretude ou certeza. Talvez minha sensibilidade e meu olhar tenham mudado. Parecem mais aguçados, mais atentos e, principalmente, mais disponíveis para sentir e olhar a tudo ao meu redor.

Por outro lado, eu olho o mesmo do passado e, no presente, não consigo mais vê-lo somente. Será que adquiri a capacidade de ver um pouco além ou mais ao meu redor? Não sei ... De qualquer maneira, o que importa aos outros saber de meus sentimentos e de sensações tão íntimas? Talvez nada. A mim, não importa saber que eles saibam.

Precaução!!! Ainda é tempo de manter a distância? Não por obrigação, mas talvez por necessidade. Sinto que estou mais vulnerável e a vulnerabilidade me é estranha. Estou vulnerável à minha sensibilidade e ao meu olhar mas, apesar disso e ainda bem que é assim, sinto um grande bem estar por estar vivendo. Estou em paz comigo, com meu passado e com meu presente. Estou em paz... com meu olhar.

Giovana
(o mote do texto foi escrito em agosto de 2006 e o mesmo continua incrivelmente atual, por isso reescrito e adaptado em abril de 2008)
Abaixo a transcrição de um trecho de um livro que todos deveriam ler, cuja referência é PIRANDELLO, Luigi. Um, nenhum e cem mil. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.

No livro, o autor diz na página 93:
"Sempre nos parece que os outros estão enganados, que uma dada forma ou um dado ato não é exatamente isto ou não é assim. Mas, inevitavelmente, pouco depois, se nos deslocamos um pouco de nossa posição, nos damos conta de que nós também nos enganamos, de que não é isto e não é assim. De modo que, ao final, somos constrangidos a reconhecer que não será nunca nem isto nem assim, de nenhum modo estável ou seguro, mas ora de um modo, ora de outro, e todos a um certo ponto nos parecerão equivocados, ou todos corretos, o que dá no mesmo, porque uma realidade não foi feita e não é, devemos fazê-la nós mesmos, se quisermos ser; e jamais será una para todos, una para sempre, mas infinita e continuamente mutável. A capacidade de nos iludirmos de que a realidade de hoje é a única verdadeira, se de um lado nos ampara, de outro nos precipita num vazio sem fim, porque a realidade de hoje está fadada a se revelar a ilusão de amanhã. E a vida não se ajusta. Não se pode ajustar. Se amanhã se ajustar, estará acabada".